o Eu que transita

Há apenas o vazio da morte, morte diária de todos nós, morte dos pensamentos utópicos, dos sonhos deixados de lado, das escolhas obrigatórias que nos doem. Morte de nós mesmos, sempre há aquele vazio que espera ser preenchido por qualquer coisa, qualquer coisa que chora ou qualquer coisa que sente saudade. Qualquer coisa que faça diferença.

Não há sorrisos sinceros que bastem, não há confiança que resista, não há vida que seja eterna e suficiente para satisfazer pobres corações iludidos e esquecidos de si mesmo e de como as coisas funcionam. Resta-nos a prece, a sabedoria ingenuamente humana que faz nos faz crê em forças divinas, em energias superiores, em poderes supremos e funcionais. Resta-nos a fé, acreditar que realmente é possível e pedir sempre para que aconteça o melhor. Porque não nos adianta brincar com as palavras e com as sensações, é tudo em vão, estar tudo estilhaçado contra nós mesmos.

Do que adianta derramar lágrimas agora? Do que adianta pensar em tudo que poderia ter sido feito? Nada adianta quando o peso da fatalidade cai sobre nós. Quando sentimos que o ar perde o sabor, que as cores ficaram falsas e as pessoas são apenas ilustrações, já não há nada que possamos fazer a não ser esperar, esperar que alguém diga que tudo foi um sonho ruim numa noite de tempestade. Esperar. Esperar. Esperar… se encontrar denovo dentro de algum olhar perdido, de alguém que já tinha sido esquecido. Esperar sozinho por você mesmo. Esperar. Esperar que as vagas se preencham e que o brilho da vida incendeie novamente.

avulso

Posted on: 19/08/2010

Estranha essa sensação.

O cansaço, o sono, o álcool, a bagunça… O desejo, o gosto.

Tudo junto de uma vez só pulando dentro de mim me deixando cada vez mais inquieta e ao mesmo tempo essa tranqüilidade dos jovens boêmios sem compromissos com o mundo.

Estranho.

Sempre que tocar um pagode eu vou ficar cantarolando com um sorriso bobo no rosto. Sempre que eu ver um famoso vou ficar tietando. Sempre que tiver um chapinha por perto vou ficar a fim de deixar meu cabelo liso. I DAI DOIDO?! Pagode é musica de corno e eu sou sentimental pra caralho, é isso! O cara tem um trabalho bom pow (pelo menos eu acho) e é famoso por isso, quero uma foto com ele sim, acho isso legal! Ahh porra! Cabelo Liso é muito prático, muito mais fácil de lidar!

Eu nem me acho tão gorda, mas me neuro muito com minha aparência. Até gosto de fazer as unhas, apesar de que é meio chato sim. Queria ter mais dinheiro pra ter mais roupas legais, roupas de marca sei lá.  Nem sou tão forte pra bebida assim. Pessoas frescas já nem me incomodam tanto, hoje eu entendo que os seres humanos são diferentes e temos que respeitar isso. Ahh que é? Sou unica por aqui que tem “segredos” e cansou deles?!

É, eu sou assim. Aliás sou bem pior. Sou egoísta, sou carente, sou ciumenta, sou chata pra caralho. É, eu sou mesmo. E sou muito mulher pra me mostrar. Tenho muito medo, muito medo das pessoas, muito medo de mim, muito medo do mundo. Sou medrosa sim. Não sou flor que se cheire, tome cuidado comigo.

Sou bem capaz de muita coisa. E sou bem capaz de não fazer nada.

Não sou tudo isso que aparento ser. Não sou nada daquilo que queria ser.

Sou só o que não preciso ser e tenho muito receio do que as pessoas vão pensar de mim.

E se eu fosse embora agora, antes que os pensamentos me tomassem e que as coisas começassem a mudar  de cor? E se tudo fosse de outro jeito, com outras pessoas e outros modos? E se nada tivesse acontecido, e se palavras não tivessem sido ditas e atitudes não fossem cometidas? E se eu não soubesse das coisas e as coisas não soubesse de mim? E se os pensamentos fossem vagos, e se nada fosse mentira? E se tudo fosse verdade? E se tudo fosse em vão? E se o azul se chamasse rosa, e rosa fosse só uma flor? Será que as flores seriam azuis?  E se ninguém pensasse nos outros? E se eu não pensasse em ninguém? Se eu soubesse como seria, eu não seria eu, e você talvez não fosse você. Nunca saberemos de nada. Será para sempre assim.

Como dizia Vinicius e Toquinho…

Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

Ultimamente tenho me perguntado por que fujo tanto das coisas poéticas. Deve ser porque o belo dói demais. E tenho tanto medo do clichê maldito, me privo tanto pra não ficar banal. As vezes me privo demais. Pense! Até que ponto as coisas são orgânicas e até que ponto elas passam a ser ‘só bonitas’? A vida constrói imagens belas que não existem, são apenas achados de muitos e perdidos de outros. Ah, como eu queria algumas imagens, algumas vivencias. Como o belo dói gente. Como dói. Pena que é uma dor de poucos. Queria tantos quereres que me perco na minha cabeça.

Existe um cachorro morto que brinca inquietamente com um dono cheio de vida. Ambos não sabem de suas condições, ou pelo menos fingem que não sabem. Tem uma hora que o dono cansa e volta, volta pra sua rotina de merda, volta a tentar ser perfeito, volta pra trás dos muros que ele deixou construir, volta para seu comodismo diário com falsas emoções. E o cachorro? O cachorro fica lá, morto. Morto como sempre esteve, como sempre esteve há anos. E ele parece se satisfazer com a morte, ela basta. Mas acho que esse cachorro também cansa, ele também quer ter vida, quer parar de se iludir com falsos sentimentos e criar suas próprias convicções. Mas é um cachorro covarde, covarde como todos os humanos hipócritas.

Posted on: 30/06/2010

Nós somos o que vivemos, e só